DE ALGUMAS OCASIÕES QUE DEVEMOS EVITAR CUIDADOSAMENTE

“Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado.
Deve evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimento em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.
O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz S. Tomás de Aquino. Se estiveres metido em uma conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem nele entrada. Quando S. Bernardino de Sena, ainda pequeno ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir às suas faces, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E S. Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.
Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder S. Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo que lhe disse: Deus te abençoe, querido. Ao que o santo perguntou, admirado: Quem és tu? Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor despareceu e o santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.
Achando-se em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te não lhes dê atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.
Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. S. Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de famílias conservam tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que se ocupam de histórias eróticas, como certos poetas e romancistas.
Vós pais de família, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. S. Boaventura diz (De inst. nov., p.1, c. 14): "Leituras vás produzem pensamentos vãos e destroem a devoção". Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas dos santos e semelhantes.
Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. "Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado", diz S. Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há dança, celebra-se uma festa do demônio, diz S. Efrém.
Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde S. João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do Pe. João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.”
Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Parte II, Pag. 46 - 47.
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