segunda-feira, 11 de julho de 2022

UM SANTO DESCONHECIDO: SÃO IOSEPHUS FERRARIUS

 UM SANTO DESCONHECIDO: SÃO IOSEPHUS FERRARIUS


Pintura de São Iosephus Ferrarius no Museu das Artes Sacras dos Santos


Iosephus Ferrarius nascido em Londres, Inglaterra (1522 - 1598) foi um frade e sacerdote Católico Inglês, elevado Santo pela Igreja Católica como São Iosephus Ferrarius.

Foi ainda em vida, alvo de uma veneração popular de grande proporções, tendo mais de 26 mil devotos até a sua morte, ele é conhecido pela tradução do livro asteca conhecido como 'The Book of Mormon: Another Testament of Jesus Christ' (O Livro de Mórmon: Outro Testamendo de Jesus Cristo) que foi entregue a ele pelo Hernán Cortés, um conquistador católico espanhol

Sua Vida

Iosephus Ferrarius nasceu sendo um jovem camponês, durante o grande conflito que ocorreu com a mudança repentina de religião causada pela igreja Anglicana, o jovem estava confuso para qual Igreja seguir, ele rezou a Deus em um bosque questionando qual era a Igreja Verdadeira, onde lhe foi mostrado uma Visão que afirmava que aquela igreja (Anglicana) não era verdadeira, nem as outras protestantes, então Iosephus dedicou a sua vida a Igreja Católica



Pintura encontrada na Catedral de Ely retratando a entrega das Placas de Ouro por Hernán Cortés que futuramente foi denominado como 'The Book of Mormon', que fora destruída durante o conflito Anglicano contra a Santa Igreja, 

Iosephus Ferrarius viaja a Espanha em busca de auxílio espiritual, já que a Inglaterra estava neste grande conflito, então ele encontra Hernán procurando alguém que pudesse traduzir os registros astecas, Iosephus como tinha recebido aquela visão, ajudou o Hernán para traduzir os Livro com auxílio divino, que foi guardado pela Igreja Católica com o título de 'The Book of Mormon'

Seu Mártir 

Iosephus Ferrarius foi Martirizado em 1598 por uma turba de Anglicanos que atacaram a casa dele e o jogaram pela janela, a cena também foi documentada nesta pintura


The Book of Mormon


Livro de Mórmon é um texto religioso asteca, que, de acordo com a teologia, contém escritos de profetas antigos que viveram no continente do outro hemisfério de 600 AC a 421 DC e durante um interlúdio datado pelo texto de o tempo não especificado da Torre de Babel.

o Professor católico Dr. Stephen H. Webb fez as seguintes observações sobre o Livro:

“Para mim, o Livro de Mórmon é um texto aparentemente milagroso que traz questões teológicas em forma narrativa. Lê-lo com os olhos da fé, sem submetê-lo aos padrões da historiografia moderna, você consegue encontrar a solução para muitas disputas que dividiram os protestantes no século XIX e os princípios que levam a um sentido mais amplo e rico da Cristandade naquela época que ele ainda não existia.”

“Depois de ler este livro, eu estava muito surpreso”, escreveu ele. “Ninguém está salvo sem Ele.” E falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo e escrevemos de acordo com nossas profecias, para que nossos filhos saibam em que fonte procurar a remissão de seus pecados “(2 Néfi 25:26). “ 

 

Sua Canonização


Iosephus Ferrarius foi canonizado no dia 6 de Abril de 2000 pelo Papa João Paulo II

Texto da canonização nos registros do Vaticano:




 

DE ALGUMAS OCASIÕES QUE DEVEMOS EVITAR CUIDADOSAMENTE


DE ALGUMAS OCASIÕES QUE DEVEMOS EVITAR CUIDADOSAMENTE

“Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado.

Deve evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimento em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz S. Tomás de Aquino. Se estiveres metido em uma conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem nele entrada. Quando S. Bernardino de Sena, ainda pequeno ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir às suas faces, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E S. Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder S. Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo que lhe disse: Deus te abençoe, querido. Ao que o santo perguntou, admirado: Quem és tu? Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor despareceu e o santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-se em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te não lhes dê atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. S. Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de famílias conservam tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que se ocupam de histórias eróticas, como certos poetas e romancistas.

Vós pais de família, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. S. Boaventura diz (De inst. nov., p.1, c. 14): "Leituras vás produzem pensamentos vãos e destroem a devoção". Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas dos santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. "Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado", diz S. Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há dança, celebra-se uma festa do demônio, diz S. Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde S. João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do Pe. João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.”

Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Parte II, Pag. 46 - 47. 

PREPARAÇÃO PARA MORTE

 

PREPARAÇÃO PARA MORTE

PONTO III

Consideremos agora o estado infeliz de uma alma que cai no desagrado de Deus. Vive separado de seu Sumo Bem, que é Deus (cf. Is 59,2); de sorte que ela já não é de Deus, nem Deus já é seu (cf. Os 1,9). E não somente não a considera como sua, mas detesta-a e a condena ao Inferno. 

O Senhor não detesta a nenhuma das criaturas, nem às feras, nem os répteis, nem ao mais vil dos insetos (cf. Sb 2,25). Entretanto, não pode deixar de aborrecer o pecador (cf. SI 5,7); porque, sendo impossível que não odeie o pecado, inimigo absolutamente contrário à sua divina vontade, deve necessariamente aborrecer o pecador que se conserva unido à vontade do pecado (cf. Sb 14,9).

Ó meu Deus! Se alguém tem por inimigo a um rei do mundo, não pode repousar tranquilo, receando a cada a morte. E aquele que for inimigo de Deus, como pode ter paz? Da ira de um rei se pode escapar, ocultando-se ou emigrando para outro país; mas quem pode livrar-se das mãos de Deus? "Senhor", dizia Davi, "se subir ao céu, ali estás, se descer ao inferno, estás ali presente (...) A todo e qualquer lugar aonde vá, tua mão alcançar-me-á" (cf. SI 138,8-10). 

Desgraçados Pecadores! São amaldiçoados por Deus, amaldiçoados pelos anjos, amaldiçoados pelos santos, e ainda amaldiçoados na Terra, todos os dias, pelos sacerdotes religiosos que, ao recitar o ofício divino, proferem a maldição (cf. SI 118,2). 

Além disso, o desafeto de Deus traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que uma pessoa tivesse merecido tanto como um São Paulo Eremita, que viveu 98 anos numa gruta; tanto como um São Francisco Xavier, que conquistou para Deus dez milhões de almas; tanto como São Paulo, que por si só alcançou - Segundo afirma São Jerônimo - mais merecimentos que todos os outros apóstolos, se tal pessoa cometesse um só pecado mortal, perderia tudo (cf. Ez 18,24), tão grande é a ruína que produz a queda no desagrado do Senhor! De filho de Deus, o pecador converte-se em escravo de Satanás; de amigo predileto torna-se odioso inimigo; de herdeiro da glória, em condenado do Inferno. 

Dizia São Francisco de Sales que, se os anjos pudessem chorar, certamente chorariam de compaixão ao verem desdita de uma alma que comete um

pecado mortal e perde a graça divina. Entretanto, a maior tristeza é que os anjos chorariam, se pudessem chorar, e o pecador não chora. Aquele que perde um cavalo, uma ovelha - diz Santo Agostinho - já não come, já não descansa, mas chora e lastima-se. Mas, se perde a graça de Deus, come, dorme e não se queixa!

Preparação Para Morte de Santo Afonso Maria de Ligório, Considerações XIX, Do Bem Inefável Que é a Graça Divina e do Grande Mal Que é a Inimizade Com Deus

A CRUZ DE JESUS E AS TRIBULAÇÕES DA VIDA PRESENTE

 

A CRUZ DE JESUS E AS TRIBULAÇÕES DA VIDA PRESENTE

Et baiulans sibi crucem, exivit in eum qui dicitur Calvariae locum – “Carregando sua cruz, foi ao lugar chamado Calvário” (Jo 19, 17) 

SUMÁRIO. Lida que foi a sentença de morte, Jesus não espera que os algozes lhe impusessem a cruz: Ele mesmo a abraça, beija-a e põe-na sobre os ombros chagados e vai ao Calvário. Quis o Senhor ensinar-nos o modo como também devemos abraçar as cruzes que nos envia, para remédio dos pecados cometidos e para penhor da felicidade eterna. Persuadamo-nos de que, para sermos glorificados com Jesus Cristo, é mister que primeiro padeçamos com Ele, e que, exceção feita as crianças, ninguém entrou no céu senão pelo caminho das tribulações. 

I. Consideremos como Pilatos, temendo perder a amizade de César e depois de tantas vezes ter declarado Jesus Cristo inocente, por fim o condena a morrer na cruz. Lida que foi a sentença, os algozes agarram violentamente o inocente Cordeiro, restituem-Lhe os vestidos próprios, e, tomando a cruz, feita de duas rudes peças de madeira, apresentam-na a Jesus. Jesus não espera que lh’a imponham; Ele mesmo a abraça, beija-a e põe-na sobre os ombros cobertos de chagas, dizendo: 

“Vem, ó querida Cruz, há trinta e três anos que te busco; em ti quero sacrificar a vida por minhas ovelhas.” 

Os condenados saem do tribunal e põem-se a caminho em direção ao lugar do suplício e no meio deles vai também o Rei do céu com a cruz aos ombros. Carregando sua cruz, foi ao lugar chamado Calvário. Saí vós também do céu, ó Serafins, e vinde acompanhar vosso Senhor, que vai ao monte para ser crucificado! Ó espetáculo horrível! Um Deus que vai ser crucificado por amor dos homens! 

Minha alma, contempla teu Salvador que vai morrer por ti. Vê como caminha inclinado, os joelhos trêmulos, todo dilacerado de feridas e gotejando sangue; vê-o com a coroa de espinhos na cabeça e o pesado lenho sobre os ombros! Ó Deus, ele caminha com tanto custo que a cada passo parece estar prestes a expirar. – Dize-lhe: Ó Cordeiro de Deus, aonde ides? – Eu vou, responde, a morrer por ti. Quando me vires já morto, lembra-te do amor que te dediquei; lembra-te dele e ama-me também. 

Ah! Meu Redentor, como pude viver no passado, tão esquecido de vosso amor? Ó pecados meus, vós amargurastes o Coração do meu Senhor, esse Coração que tanto me amou. – Meu Jesus, arrependo-me do ultraje que Vos fiz; agradeço-Vos a paciência que para comigo tivestes, e Vos amo. Amo-Vos de toda a minha alma e só a Vós é que quero amar. Por piedade, lembrai-me sempre o amor que me tivestes, afim de que nunca mais me esqueça de vosso amor. 

II. Jesus Cristo, caminhando para o Calvário com a sua cruz, convida-nos para irmos em seu seguimento e nos diz: Si quis vult post me venire, abneget semetipsum, et tollat crucem suam quotidie, et sequatur me (1) – “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”. Compenetremo-nos bem do que diz Santo Agostinho, a saber: que “toda a vida do cristão deve ser uma cruz contínua”. – Esta cruz, como o indica a palavra quotidie, cada dia, são as tribulações quotidianas, que Deus nos manda como remédio e como motivo de esperança. 

São remédio, porquanto, na frase de São João Crisóstomo, “o pecado é uma úlcera da alma, e se a tribulação não tirar os humores infectos, a alma está perdida.” Infeliz do pecador que depois do pecado não sofre castigo! – São motivo de esperança, porque, no dizer de São Gregório, “o ser atribulado na vida presente é próprio dos escolhidos, aos quais está reservada a beatitude eterna”. É incomparavelmente mais glorioso estar com Jesus pregado na cruz, do que ficar ao pé da mesma a contemplar as dores de Jesus. Pelo que São Jerônimo, escrevendo à virgem Eustochium, disse: “Investiga quanto quiseres e verás que todos os santos passaram por tribulações”, e estas tanto mais graves quanto é mais bela a sua coroa: Delicati mei ambulaverunt vias asperas (2) – “Os meus escolhidos trilharam caminhos ásperos”. 

Numa palavra, assim conclui o Apóstolo: para sermos glorificados com Jesus Cristo, mister é que padeçamos com Ele e levemos após Ele nossa cruz: Si tamen compatimur, ut et conglorificemur (3). 

– Ó meu Senhor, Vós que sois inocente, ides adiante de mim com a vossa cruz: caminhai, já que não Vos quero mais deixar. Imponde-me a cruz que quiserdes; eu a abraço e com ela Vos quero seguir até à morte. Quero morrer unido convosco, que morrestes por meu amor. Vós me mandais que Vos ame; e eu não quero outra coisa senão amar-Vos. Meu Jesus, Vós sois e sereis sempre o meu único amor. Ajudai-me a ser-Vos fiel. – Maria, minha esperança, rogai a Jesus por mim. 

Referências: 

(1) Lc 9, 23 

(2) Br 4, 26 

(3) Rm 8, 17 

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II - Santo Afonso Maria de Ligório

SANTOS MÁRTIRES DE GORKUM. (Século XVI)

 

SANTOS MÁRTIRES DE GORKUM. (Século XVI)

Quando no século XVI as heresias de Lutero e Calvino conseguiram insinuar-se na Holanda, lá, como na Alemanha e na Suíça, foram causadores de graves distúrbios. Os calvinistas rebelaram-se contra o governo do rei Filipe II e, chefiados pelo príncipe de Orange, tomaram à força armada algumas cidades, entre estas a de Gorkum.O governador retirou-se para o castelo em companhia de alguns católicos, dois párocos, onde frades franciscanos e alguns sacerdotes seculares. Os calvinistas, senhores que se fizeram da cidade, forçaram o castelo à rendição. Esta se efetuou sob a condição, porém, de ser garantido livre egresso a todos. Os calvinistas, desprezando esta combinação, aprisionaram o comandante, todos os clérigos e dois cidadãos, dos quais um foi enforcado imediatamente. Os sacerdotes eram de preferência alvo do furor calvinista. Maus tratos revezavam com ameaças de morte e finalmente foram todos metidos num calabouço subterrâneo. No dia de sexta-feira, lhes deram carne a comer. Querendo eles, porém, observar a abstinência, tiveram de suportar toda a sorte de sofrimentos e injúrias.

Ergueram em sua presença uma força ameaçando-os com a morte, se não quisessem negar a fé no Santíssimo Sacramento. Ao vigário, padre Nicolau Van Poppel um dos bandidos pôs a arma na testa e berrou aos ouvidos: “Anda, padre! Como é? Tantas vezes declaraste no púlpito que estavas pronto a dar a vida pela fé. Pois então, dize! Estás mesmo disposto?” O padre respondeu: “Dou a minha vida com muito prazer, se é em testemunho da minha fé e principalmente do artigo por vós rejeitado, o da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento”. Perguntado pelos tesouros, que supunham estarem escondidos no castelo, padre Nicolau não soube dar informações a respeito. O calvinista lançou-lhe então uma corda ao pescoço, puxou-o de um lado para o outro, até que caiu como morto.

Chegara a vez dos franciscanos. Ao frei Nicásio Pick puseram o mesmo cordão ao pescoço, arrastaram-no à porta do cárcere. Lá chegando, meteram a corda por cima da porta e puxando com força, suspenderam a vítima a altura considerável, para imediatamente deixarem cair. Isto praticaram com diabólico prazer. Afinal a corda rebentou e o pobre padre caiu pesadamente ao chão, sem mais dar sinal de vida. Para verificar se estava vivo ou morto, os soldados trouxeram velas, queimaram-lhe a testa, o nariz, as pálpebras, as orelhas, a boca e finalmente a língua. Como o padre não desse mais sinal de vida, deram-lhe pontapés e disseram com ar de desprezo: ” É um frade, que importa?” Mas o padre não estava morto, tanto que no dia seguinte os bandidos tiveram sua satisfação de poder continuar as crueldades. Durante toda a noite os padres estiveram entregues à sanha daqueles demônios em figura humana. Não havia nada que abrandasse o furor dos endiabrados hereges. Davam bofetadas nos religiosos, com tanta força e brutalidade, que lhes corria o sangue pelo nariz e pela boca. O padre Willehad, um venerável ancião de noventa anos, repetia a cada bofetada que recebia, a jaculatória: “Deus seja louvado!” Os algozes, sentindo-se fatigados de tanto bater, ajoelhavam-se diante dos padres e entre risos de escárnio, arremedavam a confissão, proferindo nesta ocasião obscenidades e blasfêmias horríveis e asquerosas. Em outra ocasião, amarraram os religiosos dois a dois e obrigaram-nos a andarem em fila, imitando a procissão e a cantar o “Te Deum” e tudo isto sob a algazarra satânica da soldadesca desenfreada. Depois puseram dados nas mãos das vítimas para assim. à guisa do jogo, tirar a sorte quem deles primeiro havia de subir à forca. O padre Guardião exclamou: “Não se faz mister de jogo, estou pronto, porque já passei por esta delícia” Os católicos de Gorkum envidaram todos os esforços para libertar os prisioneiros. Para este fim, dirigiram uma petição ao príncipe de Orange. Os calvinistas suspeitando qualquer reação, tiraram aos franciscanos o hábito e despacharam-nos, com outros sacerdotes, na noite de 5 a 6 de julho, para Briel, à residência do clerofobo conde Lumam von Marc. A pena se nega a fazer a descrição de tudo que aqueles religiosos tiveram de sofrer, dos verdugos e do populacho fanático. Em Dordrecht estava à espera um navio, que devia levá-los até Briel. Antes do embarque, um bando de calvinistas arrastou os mártires a um lugar perto do rio, onde estava aparelhada uma forca. Como cães raivosos, atiraram-se sobre as pobres vítimas e o ar encheu-se de insultos e vitupérios como estes: “Eis aí a vossa Igreja! Ide, rezai a vossa Missa”. Em seguida, obrigaram-nos a passarem três vezes em volta da força, sendo a última vez com os joelhos no chão, sob o canto da “Salve Rainha”. Enquanto os religiosos se puseram a obedecer esta ordem ridícula e estapafúrdia, choviam-lhes bengaladas e pedradas às costas. O padre vigário Jerônimo de Weert, vendo estas indignidades, não mais se conteve e disse: “Que estou presenciando? Estive entre turcos e infiéis, mas coisa igual a esta eu nunca vi!” Finalmente o triste cortejo chegou a Briel. Lá o esperava o conde Lumm, com dois pregadores da seita e alguns magistrados.

Todos se empenharam para conseguir dos prisioneiros a renúncia à fé, em particular ao dogma da real presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Foram baldados os esforços. Os mártires unanimemente rejeitaram as propostas feitas e preferiram continuar na prisão. O cárcere que os recebeu, era uma pocilga imundíssima. Uma ordem do príncipe de Orange, de por em liberdade os prisioneiros, não foi cumprida. O conde Lumm, embriagado de ódio e vinho, mandou-os levar, alta noite, às ruínas do convento Rugem, que pouco antes tinha sido incendiado pelos calvinistas. Restara ainda o celeiro. O padre Guardião foi lá mesmo enforcado, depois de ter animado os irmãos à constância. Depois deles, foram estrangulados todos os companheiros. O fanatismo dos calvinistas nem respeitou os cadáveres dos mártires. Cortaram-lhes o nariz, as orelhas e levaram-nos como troféus de vitória nos capacetes e chapéus. Os católicos resgataram por muito dinheiro os corpos dos santos irmãos e transportaram-nos para Bruxelas. Clemente X beatificou-os em 1674 e Pio IX elevou-os à categoria de Santos, no ano de 1867.

Eis os nomes dos gloriosos mártires de Gorkum:

Onze deles eram franciscanos: - Nicolau Pieck, Jerônimo de Werder, Thierry de Embden, Nicário Jonhson, Wilhade de Dinamarca, Godofredo de Merveille, Antônio de Werden, Antônio de Harnário, Francisco Rodes de Bruxelas, Pedro de Asca no Brabante e Cornélio de Dorestante, no território de Ultrecht. Um dominicano, João de Colônia dois nobertinos ou premonstratenses, Adriano Janszen e Tiago Lacops João Lenartsz, que era cônego regular de Santo Agostinho e quatro padres seculares. Foram beatificados em 1675 e canonizados em 1867.

CAMINHO DA CASA PATERNA

 

CAMINHO DA CASA PATERNA

Meditação para o Dia 09 de Julho

“Há muitas moradas na casa de meu Pai”, disse Nosso Senhor, mas, segundo comenta piedoso autor, é um só o caminho para lá chegar: o da Santa Cruz, de que nos fala a Imitação. O filho pródigo não teria voltado à casa paterna se a dor e a miséria o não tivessem batido. E tão grande a misericórdia Divina que nos obriga pelo sofrimento a ter saudades do Céu, desapegando-nos assim de toda vaidade e ilusão deste mundo. E, quando o coração se desiludiu das criaturas e já sofreu bastante, toma uma resolução:

Surgam et ibo ad Patrem – “Eu me levantarei e irei a meu Pai”

E se põe sem demora a caminho da casa paterna. A Divina Providência, em Sua Misericórdia, de tal modo dispõe as coisas neste mundo, que nos coloca na feliz impossibilidade de nos acostumarmos com a felicidade e o paraíso que a terra nos promete e oferece. O sofrimento é o nosso caminho para a casa paterna.

“Creio, no fundo de minha alma, e sinto em minha consciência – escreveu Demaistre – que, se o homem pudesse viver neste mundo isento de todo sofrimento, acabaria por se embrutecer a ponto de ficar inteiramente esquecido de todas as coisas celestes e do próprio Deus. E como nos poderíamos ocupar de uma ordem superior de coisas, se, na em que vivemos, as misérias que nos acabrunham não nos desiludissem dos encantos enganadores desta vida infeliz!”

Dor bendita! És o caminho da casa de meu Pai!

(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 208)

DA SAUDAÇÃO ANGÉLICA

DA SAUDAÇÃO ANGÉLICA

Ave, gratia plena, Dominus tecum – “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28)

SUMÁRIO. Entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a Saudação Angélica, ou a Ave-Maria, é a mais excelente em si mesma, a mais agradável ao coração da divina Mãe e a mais útil para nós. A experiência demonstra que o que saúda a Maria com esta oração é logo retribuído por ela com algum favor especial. Recitemo-la, pois, frequente e devotamente durante o dia, mormente no princípio e no fim de cada ação. Felizes as ações que forem compreendidas entre duas Ave-Marias.

I. Considera que entre todas as orações que a Igreja dirige à Santíssima Virgem, a mais excelente, a mais aceita e a mais útil é a Ave-Maria.

Ela é a mais excelente considerada em si mesma; porque foi composta, por assim dizer, pela Santíssima Trindade e pronunciada a primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel e depois por Santa Isabel, então cheia do Espírito Santo. Pelo que o Bem-aventurado Alano afirma que a Saudação Angélica, pela sua excelência, alegra todo o céu, enche a terra de prodígios, faz tremer e põe em fuga o demônio.

Em segundo lugar, ela é a mais aceita ao coração da Virgem, pois, quando dizemos Ave-Maria, parece que se lhe renova o prazer que sentiu quando lhe foi anunciado que havia sido eleita para Mãe de Deus. Mais, pela Ave-Maria mostramos que tomamos parte em sua felicidade, lembrando-lhe as suas grandezas. Disse a mesma divina Mãe a Santa Mechtildes, que nada lhe podia ser mais honroso e mais agradável do que a oferta frequente da saudação do Anjo.

Finalmente, a Ave-Maria é, depois da Oração Dominical, a mais útil para nós, porque, quem saúda Maria, será também por ela saudada. São Bernardo ouviu uma vez distintamente saudar-se por uma imagem da Virgem, que lhe disse: Ave, Bernarde; e a saudação de Maria, diz São Boaventura, consistirá numa graça especial.

“Com efeito”, pergunta Ricardo, “como poderá a divina Mãe negar a graça a quem a invoca com uma oração tão sublime?”

Em suma, Maria mesma prometeu a Santa Gertrudes tantos auxílios para a hora da morte, quantas Ave-Marias ela tivesse rezado; e são inúmeros os fatos que o confirmam.

II. A prática do obséquio tão excelente, tão aceito e tão útil, da Ave-Maria, seja: em primeiro lugar, recitar cada dia, pela manhã e à noite, ao levantar e deitar-se na cama, três vezes a Ave-Maria, com o rosto em terra ou ao menos de joelhos, acrescentando a cada Ave esta ejaculatória: Pela tua pura e imaculada conceição, ó Maria, faze puro o meu corpo e casta a minha alma. Depois, pedir a benção a nossa boa Mãe, conforme sempre praticava Santo Estanislau; e em seguida, pôr-se debaixo do manto de Nossa Senhora, pedindo-lhe que nos guarde de cair em pecado, naquele dia, ou noite que se segue. Para este fim, convém ter perto da cama uma bela imagem da Virgem.

Segundo, dizer o Angelus Domini ou o Anjo do Senhor, com as costumadas três Ave-Marias, pela manhã, ao meio dia e à noite. Os Religiosos podem nesses três tempos renovar mentalmente os seus votos, como costumava fazer São Leonardo de Porto Maurício.

Em terceiro lugar, saudar a Mãe de Deus com uma Ave-Maria quando se ouve tocar o relógio, ou cada vez que se passa por diante de uma imagem da Virgem.

Finalmente, dizer sempre uma Ave-Maria, no princípio e no fim de cada ação, quer espiritual, como a oração, a confissão, a comunhão, a leitura espiritual e outras semelhantes; quer temporal, como estudar, dar conselho, trabalhar, ir para a mesa, para a cama, etc. Felizes as ações que ficarem compreendidas entre duas Ave-Marias. – Assim digamos também a mesma oração quando acordamos pela manhã, quando adormecemos, em qualquer tentação, perigo, ímpeto de ira e semelhantes. Amado leitor, pratica isso e verás a suma utilidade que para ti resultará d’aí.

“Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.”

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II - Santo Afonso Maria de Ligório

V Domingo depois de Pentecostes

2ª Classe – Missa Própria 

Eis como eles se amam, foi dito em louvor dos primeiros Cristãos. E não podia ser de outra forma, pois se sentiam e eram membros de um só Corpo, que é. Jesus Cristo. N’Ele amavam a Deus, o Pai comum de todos, e n’Ele amavam-se uns aos outros. Este ideal de que viviam os nossos antepassados é assim delineado e posto diante dos nossos olhos na Missa destes dias, e é uma esplêndida introdução e uma preparação, para o sacrifício comum, o centro do serviço divino que a Comunidade cristã presta a seu Criador. 

Páginas 614 a 617 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 196)

SS. SETE IRMÃOS, Mártires e SS. RUFINA E SECUNDA, Virgens e Mártires

Estes sete irmãos eram filhos de Santa Felicidade e sofreram o martírio quatro meses antes da mãe, exortados e animados por esta. As duas irmãs, Rufina e Secunda, suportaram a morte pela fé e pela virgindade.

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo

📖 - I Pe 3, 8-15

“Caríssimos: Sede todos perfeitamente unidos na oração, compassivos, amantes de vossos irmãos, misericordiosos, modestos e humildes. Não retribuais mal por mal, nem injúria com injúria; mas pelo contrário, abençoai; pois para isto sois chamados, a fim de receberdes em herança a bênção. Porque o que quer amar a vida e ver felizes dias, refreie a língua do mal, e não deixe que os seus lábios profiram mentiras. Aparte-se ele do mal e faça o bem; procure a paz, e nela prossiga, pois os olhos do Senhor estão sobre os Justos, e seus ouvidos, atentos às suas súplicas. O olhar irado do Senhor, porém, ameaça os que praticam o mal. Quem poderá prejudicar-vos, se fordes zelosos pelo bem? E felizes de vós mesmos se padecerdes algo por amor da justiça. Deles não tenhais medo nem vos perturbeis. Guardai, porém, o Cristo, o Senhor, santo em vossos corações.” 

R: Graças a Deus

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus

📖 - Mt 5, 20-24

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se vossa justiça não vai além da justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar será réu em juízo. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão, será levado a tribunal; e o que chamar a seu irmão: raca, será réu diante do Conselho. E o que disser: louco, merece ser condenado ao fogo do inferno. Portanto, se trouxeres a tua oferenda ao altar, e te lembrares que o teu irmão tem contra ti alguma coisa, deixa a tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e depois vem fazer a tua oblação.”

R. Louvado sejas, ó Cristo.

S. Pelas palavras do Evangelho sejam apagados os nossos pecados.

Rezem todos os dias o Santo Rosário

UM SANTO DESCONHECIDO: SÃO IOSEPHUS FERRARIUS

 UM SANTO DESCONHECIDO: SÃO IOSEPHUS FERRARIUS Pintura de São  Iosephus Ferrarius no Museu das Artes Sacras dos Santos Iosephus Ferrarius  ...